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SÍNDROME DE REITER

Reiter’s syndrome

SYNDROMA REITER

Autor: Nelson Guimarães Proença

Inserida em: 05/02/2018


CASO (Hospital Beneficente)

O paciente foi atendido em Hospital Beneficente e a seguir internado, para melhor investigação. Era um homem de 45 anos de idade, que procurou o Ambulatório de Dermatologia por apresentar lesões cutâneas, palmares e plantares, também lesões genitais. No mês anterior à internação haviam se multiplicado lesões cutâneas, tipo eirtemato-pápulas, com descamação. O exame clínico geral mostrou que também apresentava conjuntivite e artrite. Foi sugerido o diagnóstico de Síndrome de Reiter e solicitada a internação, para melhor estudo. Com a colaboração de um Centro Laboratorial de Referência foi possível isolar Chlamydia trachomatis da secreção uretral. No estudo radiológico foram encontradas importantes alterações ósseas. A histopatologia de mão mostrou pústula espongiforme.













Comentários

Esta síndrome foi descrita no início do Século XIX, mas só se tornou mais conhecida a partir da Primeira Grande Guerra (1914-1918). Foi nesta ocasião que Reiter pôde descrevê-la com mais propriedade, daí estar seu nome a ela associado. Bem depois, a ocorrência de um surto epidêmico na Finlândia (mais de trezentos casos), na década dos anos quarenta, permitiu fixar de modo definitivo suas características clínico-patológicas.

A mudança do comportamento sexual, a partir dos anos sessenta, levou a um aumento considerável de casos, de modo universal. É preciso contar com o apoio de um laboratório com as técnicas apropriadas para identificar a clamídia causadora, caso contrário a verdadeira ocorrência desta infecção pode passar despercebida, em muitos países. Na Inglaterra foi criado um programa nacional (NCSP, National Chlamydial Screening Programme), o qual permitiu identificar que 10% da população sexualmente ativa, com mais de 25 anos de idade, tem esta infecção (dados de 2007). Ainda mais, que é duas vezes mais frequente em mulheres do que em homens. No Brasil não temos dados a respeito da incidência / prevalência.

Há sempre uma infecção precedente, intestinal (anal) ou urológica. Decorridas em média quatro semanas é desencadeado o quadro clínico. A literatura médica informa que a infecção intestinal precedente pode também ser causada por Shiguella. Quando urinária (uretrite) é por Chlamydia trachomatis. Há outros agentes infecciosos, que podem ser desencadeantes, mas são bem menos comuns. No Brasil os casos são esporadicamente diagnosticados, daí não podermos dizer quais os agentes mais comuns, entre nós. Outro fato a destacar é que, no início da epidemia de AIDS (anos 80), tornou-se mais frequente a ocorrência da Síndrome de Reiter.

O quadro clínico é dominado por dores articulares, resultantes de uma artrite desenvolvida de modo súbito. Dentre as articulações mais atingidas, deve-se destacar as sacro-ilíacas e os joelhos. Há frequente acometimento ocular (conjuntivite) e urinário (uretrite). Também está presente alarmante erupção cutânea, amplamente disseminada. São lesões intensamente inflamatórias, pustulosas, causando grande desconforto ao paciente.

É muito difícil distinguir o quadro cutâneo da Síndrome de Reiter, da “psoríase pustulosa aguda eruptiva tipo Von Zumbush”. Para dificultar ainda mais, destaque-se que, do ponto de vista histopatológico, ambas são caracterizadas pela presença da “pústula espongiforme de Kogoj”. Para o diagnóstico diferencial contribui, muito, a presença de uretrite: é própria da Síndrome de Reiter, mas não da psoríase do tipo Von Zumbusch. Ainda mais, deve-se destacar a “balanite circinada”, própria da Síndrome de Reiter. 

A grande variação da incidência, de um Continente para outro, parece decorrer de fatores genéticos. Pelo menos já está demonstrada, na Europa e nos Estados Unidos, a absoluta predominância do HLA-B27, em pacientes com Síndrome de Reiter. No Brasil, como dissemos, por ser rara, não há dados disponíveis, relacionados com o patrimônio genético. 

Ainda como decorrência da menor frequência, no Brasil, não temos experiência pessoal sobre seu tratamento. Na Inglaterra, o NCSP considera eficiente e até aqui prioritário o uso da azitromicina, em dose única (!).


Palavras-chave: Síndrome de Reiter; Reiter’s syndrome; Syndroma Reiter.