ARQUIVOS TIPO ATLAS

NOTALGIA PARESTESICA

Notalgia paraesthesica

NOTALGIA PARESTESICA

Autor: Nelson Guimarães Proença

Inserida em: 29/06/2021


The circumscribed nature and the location at the base of the scapula is characteristic of the pigmentation which typically accompanies notalgia paresthesica, a sensory neuropathy of dorsal spinal nerves which presentes as intense pruritus or paraesthesiae: the pigmentation may be due to chronic rubbing and scratching.


(Rook’s Textbook of Dermatology, Ninth Edition, 2016).


CASO 1 (46108)

Mulher de 59 anos, cor branca, consulta por ter prurido na região dorsal esquerda, já com quase 1 ano de duração. São crises repentinas, de prurido intenso, que cedem após persistirem por um certo tempo, às vezes não mais do que alguns minutos. São várias as crises, que ocorrem tanto durante o dia como à noite.

Ao exame da pele foi encontrada apenas uma mancha melânica na região inter escápulo vertebral esquerda, ligeiramente liquenificada.

A biópsia de pele mostrou distribuição irregular de melanocitos na camada basal, apoptose de melanocitos, presença de melanófagos na derma papilar principalmente distribuídos ao redor de vasos capilares. Infiltração linfocitária discreta. Pesquisa para substância amiloide negativa.

A paciente fez estudo tomográfico de coluna vertebral que mostrou alterações em dorsal 6 e dorsal 7.

Iniciou tratamento fisioterápico com melhoria do prurido.









CASO 2 (46642)

Paciente do sexo feminino, 74 anos, cor branca, queixa de prurido na região dorsal esquerda, há 4 meses. São crises, que podem se repetir várias vezes ao dia, resolvem espontaneamente. Ao exame foi encontrada mancha pigmentar um pouco liquenificada, em torno de 5 cm de diâmetro. Na histopatologia melanófagos com pigmento melânico e coloração negativa para substância amiloide.





Comentários

 

Notalgia parestésica (NP) com certa frequência é motivo de consulta ao dermatologista. A posição exata deste quadro clínico, dentro da nosologia médica, tem sido motivo de muitas discussões. Nas décadas dos anos 1960 e 1970 foram utilizadas denominações descritivas, como “prurido dorsal com hiperpigmentação”, “melanose dorsal pruriginosa”, ou ainda “prurido melanótico de Pierini e Borda”.

Durante longo período houve tendência de considerá-la como uma das variedades clínicas da amiloidose cutânea primária, chegando a receber a denominação de “líquen amiloidótico dorsal”. A este respeito, a contribuição que esclareceu a controvérsia foi dada por Malvido e colaboradores (1). Estes autores acompanharam, de modo prospectivo e com protocolo, 40 pacientes com prurido dorsal intenso, acompanhado de hiperpigmentação. Destes casos, 31 puderam ser seguidos pelo tempo programado. A presença de substância amilóide na derme superficial só foi demonstrada em nove pacientes. A conclusão dos autores, acertada, é de que a deposição de substância amiloide não é a causa, mas sim, é a consequência do prurido

 Nestes últimos anos vários trabalhos demonstraram que é possível observar, em muitos casos de NP, a participação das raízes nervosas sensitivas que correspondem ao mesmo metâmero, no qual se situa a alteração cutânea. Isto provocou uma completa reviravolta conceitual. Atualmente, aceita-se a NP como uma síndrome neurocutânea que envolve raízes posteriores sensitivas da medula espinal, desencadeando crises pruriginosas que levam à coçadura e consequente hiperpigmentação.

São diversas as causas aventadas como possíveis provocadoras da exaltação da sensibilidade dos nervos periféricos. Vamos destacar algumas: alterações degenerativas vertebrais compressivas (ósseas ou dos discos); acidente com trauma vertebral; atividades físicas com esforço não suportado pela coluna vertebral; predisposição genética. Do ponto de vista anatômico, é importante destacar que o segmento metamérico afetado está situado entre a última vértebra cervical e a sexta ou a sétima vértebras torácicas. A área que se torna pruriginosa e hiperpigmentada pode ocupar todo o espaço interescapular, ou ser unilateral, ocupando apenas um dos  espaços inter-escápulovertebrais. Na maioria das vezes, a NP é unilateral, mas há casos em que é bilateral e simétrica.

Na histopatologia é observada uma acantose irregular, com alongamento das cristas epidérmicas e presença de apoptose. Na derme papilar, em alguns casos, a coloração específica mostra presença de substância amorfa, de natureza amilóide.

Além dos estudos por imagem, habitualmente feitos nesta síndrome, foram também realizados estudos eletromiográficos e imunohistoquímicos. Foi evidenciada a participação exacerbada de neuropeptídeos, liberados a partir de fibras-C amielínicas, tento epidérmicas como dérmicas.

 

 

(1)    Mavido, KA, et al. Notalgia parestesica: sus vinculaciones con la amiloidosis bifásica. A propósito de 40 casos. Arch Argent Dermatol. 2001;51:197-204.

 


Palavras-chave: Notalgia parestésica

Key Words: Notalgia paresthesica

Nomina Dermatologica: Notalgia parestesica