ARQUIVOS TIPO ATLAS

NEVO MELANOCÍTICO DE JUNÇÃO

Junctional melanocytic naevi

NAEVUS NAEVO-CELLULARIS JUNCTIONALIS

Autor: Nelson Guimarães Proença

Inserida em: 10/08/2021


Acquired melanocytic naevi are benign neoplasms of melanocytic naevus cells that begin to proliferate at the dermal-epidermal junction (junctional naevus), and over time tend to migrate into the dermis while a component remains in contact with the basal layer (compound naevus). At the end stage of this process, all the naevus cells are completely detached from the overlying epidermis (intradermal naevus).

A newly formed melanocytic naevus is a junctional naevus, presenting as a uniformely pigmented brown macule, with a diameter of 2-10 mm. Naevus pigmentatiom is related to individual skin colour, with lighter phototypes tipically presenting pale naevi. It is also associated with UV exposure, gaining a darker shade after exposure to sunlight (e.g. after a summer vacation).

 A junctional naevus presenting as a uniformly pigmented brown macule, with a diameter of 2-10 mm.

(Rook’s Textbook of Dermatology, Ninth Edition, 2016).


CASO 1 (35195)

Homem, 40 anos, tem apresentados sucessivas lesões cutâneas, que tem sido retiradas. Por duas vezes o exame anátomo-patológico mostrou se tratar de epiteliomas. A presente consulta é por ter uma lesão pigmentada no tórax, informa que “está se tornando mais escura”.

Foi retirada e o laudo foi de nevo juncional:

 

— Lesão hiperplásica caracterizada por proliferação de melanocitos dispostos lado a lado ao longo da camada basal, com discreto grau de polimorfismo nuclear e com citoplasma finamente granuloso ou vacuolizado contendo grande quantidade de pigmento melânico.”

 







CASO 2  (21401)

Homem,28 anos, consulta por apresentar numerosas lesões pigmentadas, principalmente localizadas na região dorsal. O paciente informa que uma destas lesões estava se tornando maior e mais escura, motivando a consulta. Além desta lesão foi também retirada uma outra, ao lado, para comparação.

O exame anátomo-patológico da lesão pigmentada deu nevo composto, absolutamente benigno. A segunda lesão deu nevo juncional.







CASO 3 (45470)

Homem, 36 anos, tem lesão de cor quase negra na região mamária esquerda, há vários anos. Consulta agora por estar preocupado, a lesão está se tornando mais escura. Ao exame, a lesão tinha a forma de fuso e era assimétrica, com 7 mm no maior diâmetro, irregular no contorno. O diagnóstico clínico foi de nevo em transformação para melanoma.

Retirada a lesão em fuso, com margem de segurança, foi a peça cirúrgica enviada para exame. O resultado causou boa surpresa, pois não havia sinais de malignidade, tratava-se de um Nevo de junção.

Descrição da biópsia:

“Pele apresentando na epiderme lesão hiperplásica caracterizada por proliferação de células névicas dispostas ao longo da camada basal, em geral formando ninhos de tamanhos variados. As células névicas aí distribuídas apresentam discreto grau de polimorfismo nuclear, com citoplasma finamente granuloso, contendo grande quantidade de pigmento melânico. Observa-se ainda na epiderme, a este nível, acentuado aumento da pigmentação melânica nos queratinócitos, tanto da camada basal como da espinhosa. Na derme papilar subjacente há grande número de melanófagos carregados de pigmento melânico, distribuídos principalmente ao redor dos vasos sanguíneos. A lesão foi totalmente extirpada e não sinais de malignidade. diagnóstico: Nevo juncional”.







CASO 4  (45140)

Homem, 58 anos, apresenta múltiplas lesões pigmentares. Uma destas lesões, de localização inter escapular “preocupa porque está escurecendo”. Foi retirada e o exame mostrou se tratar de um nevo juncional lentiginoso.





Comentários

A distinção clínica entre as lesões pigmentares, intradérmicas e as juncionaias — benignas e pré-malignas/malignas — é muitas vezes difícil, mesmo quando se faz a citoscopia. A retirada da lesão deve então ser feita, para um diagnóstico seguro. Como as lesões são ovaladas ou redondas, a retirada pode ser feita com um punch de diâmetro um pouco maior, conforme foi visto no caso que apresentamos. O exame anátomo-patológico estabelece um diagnóstico seguro e informa se a margem de segurança foi adequada.

Quando os melanocitos da camada basal da epiderme acumulam melanina, mas não proliferam, fica caracterizado o lentigo. Quando os melanocitos começam a se multiplicar, passamos a caracterizar como nevos melanocíticos.

No caso de ocorrer a excessiva proliferação de melanocitos na camada basal, denominamos nevo juncional. Com o passar do tempo uma parte destes melanocitos pode se acumular e se despreender, “mergulhando” na derme, justifica-se agora a denominação de nevo composto. Quando vier a ocorrer a total desvinculação entre os melanocitos e a camada basal, havendo apenas acúmulos dos mesmos na derme, falamos de nevo intradérmico.

Esta sucessão — nevo juncional, nevo composto, nevo intradérmico — pode levar anos para ocorrer. O tempo é absolutamente variável, de indivíduo para indivíduo e de nevo para nevo, razão pela qual podemos encontrar, em uma pessoa, os três tipos de nevos melanocíticos.

Importante destacar que estamos descrevendo lesões benignas da pele, pois os melanocitos que as compõem tem estrutura absolutamente preservada. Quando surgem alterações estruturais passamos a falar de nevo diplásico (ou lentigo maligno). Este, sim, tem evolução maligna.

Mesmo para um experimentado dermatologista a distinção clínica entre as lesões juncionais benignas e as pré-malignas/malignas é muitas vezes difícil; mesmo com o exame citoscópico. A retirada da lesão deve então ser feita, para um diagnóstico seguro. Como as lesões são ovaladas ou redondas, a retirada pode ser feita com um punch de diâmetro um pouco maior, conforme foi visto no caso que apresentamos. A decisão final sobre a conduta fica na dependência do resultado do exame patológico.


Palavras-chave: Nevo melanocítico juncional

Key Words: Junctional melanocytic naevi

Nomina Dermatologica: Naevus naevo cellularis junctionalis