ARQUIVOS TIPO ATLAS

NEVO MELANOCÍTICO

Melanocytic naevi

NAEVUS NAEVO-CELLULARIS

Autor: Nelson Guimarães Proença

Inserida em: 10/08/2021


Acquired melanocytic naevi are benign neoplasms of melanocytic naevus cells that begin to proliferate at the dermal-epidermal junction (junctional naevus), and over time tend to migrate into the dermis while a component remains in contact with the basal layer (compound naevus). At the end stage of this process, all the naevus cells are completely detached from the overlying epidermis (intradermal naevus).


(Rook’s Textbook of Dermatology, Ninth Edition, 2016).

 

CASO 1 (45402) LENTIGO

Mulher de 53 anos, consulta e informa: “— Tenho pinta escura na perna esquerda, há 8 anos, mas agora está crescendo. Meu médico particular recomendou que retirasse a lesão”. A lesão foi então retirada e enviada para o exame anátomo-patológico, que foi tranquilizador: Lentigo simples.

Descrição do exame:

“Pele apresentando em certo trecho da epiderme as cristas interpapilares alongadas e com acentuado aumento da pigmentação melânica nos queratinocitos, tanto da camada basal como da camada espinhosa. Os melanocitos estão aumentados em número e regularmente distribuídos sem formar aglomerados de ninhos, sem sinais de anaplasia. Na derme papilar subjacente há discreta proliferação de fibrilas colágenas abaixo das cristas interpapilares e presença de numerosos melanófagos ao lado de pequeno número de linfócitos, principalmente ao redor dos vasos sanguíneos. A lesão foi totalmente extirpada e não sinais de malignidade. diagnóstico:lentigo simples”.





CASO 2 (45470) NEVO JUNCIONAL

Homem, 36 anos, tem lesão de cor quase negra na região mamária esquerda, há vários anos. Consulta agora por estar preocupado, a lesão está se tornando mais escura. Ao exame, a lesão tinha a forma de fuso e era assimétrica, com 7 mm no maior diâmetro, irregular no contorno. O diagnóstico clínico foi de nevo em transformação para melanoma.

Retirada a lesão em fuso, com margem de segurança, foi a peça cirúrgica enviada para exame. O resultado causou boa surpresa, pois não havia sinais de malignidade, tratava-se de um Nevo de junção.

Descrição da biópsia:

“Pele apresentando na epiderme lesão hiperplásica caracterizada por proliferação de células névicas dispostas ao longo da camada basal, em geral formando ninhos de tamanhos variados. As células névicas aí distribuídas apresentam discreto grau de polimorfismo nuclear, com citoplasma finamente granuloso, contendo grande quantidade de pigmento melânico. Observa-se ainda na epiderme, a este nível, acentuado aumento da pigmentação melânica nos queratinócitos, tanto da camada basal como da espinhosa. Na derme papilar subjacente há grande número de melanófagos carregados de pigmento melânico, distribuídos principalmente ao redor dos vasos sanguíneos. A lesão foi totalmente extirpada e não sinais de malignidade. diagnóstico: Nevo juncional”.







CASO 3 (21401) NEVO MELANOCÍTICO COMPOSTO

Homem, 28 anos, consulta por apresentar numerosas lesões pigmentadas, principalmente localizadas na região dorsal. O paciente informa que uma destas lesões está se tornando maior e mais escura, motivando a consulta. Além desta lesão foi também retirada uma outra, ao lado, para comparação.

O exame anátomo-patológico da lesão pigmentada maior deu nevo composto, absolutamente benigno. A segunda lesão, menor, deu nevo juncional.





CASO 4 (21108) NEVO INTRADÉRMICO

Mulher, 37 anos, tem “pintas” na face desde a infância, estão crescendo lentamente. Elas lhe causam desconforto estético, perda da autoestima, deseja retirá-las. Assim se procedeu, o exame anátomo-patológico mostrou se tratar de nevos intradérmicos.





Comentários

A distinção clínica entre as lesões pigmentares, intradérmicas e as juncionaias — benignas e pré-malignas/malignas — é muitas vezes difícil, mesmo quando se faz a citoscopia. A retirada da lesão deve então ser feita, para um diagnóstico seguro. Como as lesões são ovaladas ou redondas, a retirada pode ser feita com um punch de diâmetro um pouco maior, conforme foi visto no caso que apresentamos. O exame anátomo-patológico estabelece um diagnóstico seguro e informa se a margem de segurança foi adequada.

Quando os melanocitos da camada basal da epiderme acumulam melanina, mas não proliferam, fica caracterizado o lentigo. Quando os melanocitos começam a se multiplicar, passamos a caracterizar como nevos melanocíticos.

No caso de ocorrer a excessiva proliferação de melanocitos na camada basal, denominamos nevo juncional. Com o passar do tempo uma parte destes melanocitos pode se acumular e se despreender, “mergulhando” na derme, justifica-se agora a denominação de nevo composto. Quando vier a ocorrer a total desvinculação entre os melanocito e a camada basal, havendo apenas os acúmulos na derme, falamos de nevo intradérmico.

Esta sucessão — nevo juncional, nevo composto, nevo intradérmico — pode levar anos para ocorrer. O tempo é absolutamente variável, de indivíduo para indivíduo e de nevo para nevo, razão pela qual podemos encontrar, em uma pessoa, os três tipos de nevos melanocíticos.

Importante destacar que estamos descrevendo lesões benignas da pele, pois os melanocitos que as compõem tem estrutura absolutamente preservada. Quando surgem alterações estruturais passamos a falar de nevo diplásico, ou lentigo maligno. Este, sim, tem evolução maligna.


Palavras-chave: Nevo melanocítico

Key Words: Melanocytic naevi

Nomina Dermatologica: Naevus naevo cellularis